sábado, 23 de maio de 2026

Para além do artefato: a condição lúdica do humano.

 

                                                Fonte: acervo pessoal da autora.

Certa vez, quanto participava de uma formação para professores, fomos convidados a participar de uma dinâmica que envolvia o desenho. Sempre posicionava-me em descrença aos rituais, dinâmicas e brincadeiras quando desenvolvidas em ambientes de estudo cujo público era adulto, considerava que por termos pouco tempo coletivo destinados a esse fim deveríamos explorar o máximo de estudos teóricos possíveis.

A dinâmica consistia em: Os participantes foram organizados em grupos. Cada equipe recebeu a imagem de uma obra de arte que deveria ser reproduzida coletivamente. Entretanto, o integrante responsável pelo desenho foi retirado da sala e não teve acesso à imagem original. Após esse momento, o participante retornava ao grupo e iniciava o desenho apenas com base nas orientações fornecidas pelos colegas, que podiam descrever formas, posições, elementos e relações presentes na obra, mas sem revelar diretamente qual era a imagem.

Lembro-me que, usando apenas cartolina e giz de cera, reproduzir a obra “Ciranda” do artista Ivan Cruz. Ainda ouço a voz das colegas dizendo “as crianças não tem rosto”, daí em diante a imagem foi se formando em minha mente. Ainda recordo-me da sensação de euforia que experimentei ao realizar tal atividade, pois a mesma me transportava para a infância, na qual desenhar era minha forma favorita de expressão. A partir dessa experiência, reavaliei minha concepção e passei a observar as dinâmicas com outro olhar.

Ao aprofundar as leituras acerca da “ludicidade e formação do educador”  postulado por Luckesi (2014), logo recordei-me da vivência acima descrita. A sensação de êxtase sentida ao realizar uma tarefa simples, não estava relacionada aos artefatos utilizados, cartolina giz de cera, mas as experiências internas que me marcaram ao longo da vida. 

Luckesi (2014) afirma que o educador precisa aprender experimentando uma vez que sua missão é para além do orientar, mas acompanhar o processo de aprendizagem, sendo assim,  necessário sentir a aprendizagem precisa ser sentida, vivida. 

Compreender a ludicidade para além do artefato, jogo ou atividade significa entender que o lúdico aparece na vivência, no envolvimento, na dimensão subjetiva do sujeito, Ken Wilber (2011). 

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