Instigada pelaPBL 7, no qual fomos desafiados a debruçar sobre dois conceitos centrais, interface digital e interatividade, retorno aqui após algumas leituras, especialmente do livro “Interação on-line um desafio da tutoria” de autoria de Fernando Silvio Cavalcante Pimentel.
Com base no PBL 7 , discutimos que muitos cursos na modalidade EAD, o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) ainda é utilizado de forma “bancária”: o professor posta a atividade, o estudante responde e o processo se encerra ali. No entanto, após a leitura mencionada, compreendi que a aprendizagem a partir da perspectiva socioconstrutivista, inspirada em Vygotsky, essa lógica precisa ser revista. Aprender não é um ato solitário, mas um processo que se constrói na interação, na linguagem e na mediação.
Partindo dessa compreensão, respondendo ao PBL mencionado, proponho uma atividade para a disciplina de Fundamentos de Língua Portuguesa, no curso de Pedagogia, que transforma o AVA em um espaço vivo de troca e construção coletiva: a Oficina Colaborativa de Leitura e Escrita.
A atividade se inicia com uma provocação do professor, que apresenta um texto curto acompanhado de uma pergunta problematizadora. Esse primeiro movimento já convida o estudante a refletir e se posicionar. Na sequência, os estudantes participam de um fórum no AVA. Cada um publica sua interpretação, mas não para por aí: é necessário interagir com os colegas, ampliando ideias, questionando pontos de vista e estabelecendo conexões. O passo seguinte envolve a produção colaborativa: em pequenos grupos, os estudantes utilizam um documento digital compartilhado para reescrever o texto inicial, podendo adaptá-lo para outro público, continuar a narrativa ou transformá-lo em outro gênero. Essa etapa exige negociação, escolhas linguísticas e construção conjunta, mobilizando a aprendizagem mediada e a chamada Zona de Desenvolvimento Proximal, em que os sujeitos aprendem com o apoio dos pares.
Para ampliar ainda mais a interação, as produções são socializadas em um microblog, como o Padlet. Ali, os colegas comentam os trabalhos uns dos outros, destacando pontos fortes, sugerindo melhorias e relacionando com os conteúdos estudados na disciplina. O ambiente de aprendizagem, então, se expande para além do AVA, formando um verdadeiro ecossistema digital.
Essa proposta rompe com o modelo “postar e sair” porque garante três elementos fundamentais da abordagem socioconstrutivista: comunicação, interação e aprendizagem mediada. Mais do que cumprir uma tarefa, os estudantes participam de um processo coletivo de construção de sentidos.
Apresento a imagem inicial do meu protótipo:
Com o intuito de deixar a proposta ainda mais visual utilizei o Lovable para gerar a interface da Oficina Colaborativa de Leitura e Escrita. Criada a partir do prompt:
“Quero planejar uma atividade colaborativa para disciplina de Fundamentos de Língua Portuguesa, no curso de Pedagogia, com foco no tema leitura e escrita. A proposta deve transformar o ambiente virtual de aprendizagem (AVA) em um espaço de interação ativa, superando o uso tradicional de ‘postar tarefa e sair’.
Estruture a proposta incluindo:
Uma tirinha e uma pergunta “Como a linguagem usada nesse texto revela aspectos sociais e culturais”
Etapas sequenciais que envolvam:
Participação inicial individual - os estudantes participam de um fórum no AVA;
Interação obrigatória entre colegas - comentários;
Produção colaborativa em grupo usando documento digital;
Socialização das produções em um ambiente interativo: Padlet.
A proposta deve ser detalhada, prática e aplicável em um AVA real, com linguagem clara e foco na promoção de interação significativa entre os estudantes.”
É importante descartar que o design da interface em ambientes virtuais de aprendizagem pode favorecer significativamente a construção coletiva do conhecimento quando é pensada para promover iteração, diálogo e participação ativa. Com base em Costa (2022), um ambiente interativo precisa oferecer ferramentas que realmente possibilitem ao estudante não apenas acessar conteúdos, mas também interagir, colaborar e construir saberes com os outros. Isso implica organizar o AVA de forma intuitiva, com espaços bem definidos para fóruns, chats, produções colaborativas e feedbacks, incentivando o diálogo constante entre os participantes. Além disso, o design deve contribuir para reduzir os efeitos da distância geográfica, rompendo os hiatos próprios da EAD por meio de uma estrutura que favoreça a presença social e a comunicação significativa. Para isso, é essencial equilibrar diálogo e estrutura: ao mesmo tempo em que o ambiente precisa ser organizado e claro, ele também deve ser flexível e aberto à interação, permitindo que os estudantes se expressem, respondam, cocriem e se reconheçam como parte ativa de uma comunidade de aprendizagem.
A proposta do PBL foi de grande valia para a aprendizagem. Conhecer o loveble e a mediação dos colegas por meio do google classroom possibilitaram esvaziar o copo e mergulhar em águas mais profundas.
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