sexta-feira, 1 de maio de 2026

Do AVA bancário ao espaço de interação: uma proposta de Oficina Colaborativa de Leitura e Escrita.


Instigada pelaPBL 7, no qual fomos desafiados a debruçar sobre dois conceitos centrais, interface digital e interatividade, retorno aqui após algumas leituras, especialmente do livro “Interação on-line um desafio da tutoria” de autoria de Fernando Silvio Cavalcante Pimentel. 

Com base no PBL 7 , discutimos que muitos cursos na modalidade EAD, o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) ainda é utilizado de forma “bancária”: o professor posta a atividade, o estudante responde e o processo se encerra ali. No entanto, após a leitura mencionada, compreendi que a aprendizagem a partir da perspectiva socioconstrutivista, inspirada em Vygotsky, essa lógica precisa ser revista. Aprender não é um ato solitário, mas um processo que se constrói na interação, na linguagem e na mediação.

Partindo dessa compreensão,  respondendo ao PBL mencionado, proponho uma atividade para a disciplina de Fundamentos de Língua Portuguesa, no curso de Pedagogia, que transforma o AVA em um espaço vivo de troca e construção coletiva: a Oficina Colaborativa de Leitura e Escrita.

A atividade se inicia com uma provocação do professor, que apresenta um texto curto acompanhado de uma pergunta problematizadora. Esse primeiro movimento já convida o estudante a refletir e se posicionar. Na sequência, os estudantes participam de um fórum no AVA. Cada um publica sua interpretação, mas não para por aí: é necessário interagir com os colegas, ampliando ideias, questionando pontos de vista e estabelecendo conexões. O passo seguinte envolve a produção colaborativa: em pequenos grupos, os estudantes utilizam um documento digital compartilhado para reescrever o texto inicial, podendo adaptá-lo para outro público, continuar a narrativa ou transformá-lo em outro gênero. Essa etapa exige negociação, escolhas linguísticas e construção conjunta, mobilizando a aprendizagem mediada e a chamada Zona de Desenvolvimento Proximal, em que os sujeitos aprendem com o apoio dos pares.

Para ampliar ainda mais a interação, as produções são socializadas em um microblog, como o Padlet. Ali, os colegas comentam os trabalhos uns dos outros, destacando pontos fortes, sugerindo melhorias e relacionando com os conteúdos estudados na disciplina. O ambiente de aprendizagem, então, se expande para além do AVA, formando um verdadeiro ecossistema digital.

Essa proposta rompe com o modelo “postar e sair” porque garante três elementos fundamentais da abordagem socioconstrutivista: comunicação, interação e aprendizagem mediada. Mais do que cumprir uma tarefa, os estudantes participam de um processo coletivo de construção de sentidos.

Apresento a imagem inicial do meu protótipo: 

 Imagem gerada pela autora por meio da IA generativa CHAT GPT. 

Com o intuito de deixar a proposta ainda mais visual utilizei o Lovable para gerar a interface da Oficina Colaborativa de Leitura e Escrita. Criada a partir do prompt:

“Quero planejar uma atividade colaborativa para disciplina de Fundamentos de Língua Portuguesa, no curso de Pedagogia, com foco no tema leitura e escrita. A proposta deve transformar o ambiente virtual de aprendizagem (AVA) em um espaço de interação ativa, superando o uso tradicional de ‘postar tarefa e sair’.

Estruture a proposta incluindo:

Uma tirinha e uma pergunta “Como a linguagem usada nesse texto revela aspectos sociais e culturais”

Etapas sequenciais que envolvam: 

Participação inicial individual - os estudantes participam de um fórum no AVA;

Interação obrigatória entre colegas - comentários;

Produção colaborativa em grupo usando documento digital;

Socialização das produções em um ambiente interativo: Padlet.

A proposta deve ser detalhada, prática e aplicável em um AVA real, com linguagem clara e foco na promoção de interação significativa entre os estudantes.”


É importante descartar que o design da interface em ambientes virtuais de aprendizagem pode favorecer significativamente a construção coletiva do conhecimento quando é pensada para promover iteração, diálogo e participação ativa. Com base em Costa (2022), um ambiente interativo precisa oferecer ferramentas que realmente possibilitem ao estudante não apenas acessar conteúdos, mas também interagir, colaborar e construir saberes com os outros. Isso implica organizar o AVA de forma intuitiva, com espaços bem definidos para fóruns, chats, produções colaborativas e feedbacks, incentivando o diálogo constante entre os participantes. Além disso, o design deve contribuir para reduzir os efeitos da distância geográfica, rompendo os hiatos próprios da EAD por meio de uma estrutura que favoreça a presença social e a comunicação significativa. Para isso, é essencial equilibrar diálogo e estrutura: ao mesmo tempo em que o ambiente precisa ser organizado e claro, ele também deve ser flexível e aberto à interação, permitindo que os estudantes se expressem, respondam, cocriem e se reconheçam como parte ativa de uma comunidade de aprendizagem.  

A proposta do PBL foi de grande valia para a aprendizagem. Conhecer o loveble e a mediação dos colegas por meio do google  classroom possibilitaram esvaziar o copo e mergulhar em águas mais profundas. 


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segunda-feira, 27 de abril de 2026

Tecnologias Digitais no Ensino: entre trajetórias, interfaces e interatividade






 Hoje, antes da aula, na biblioteca, me peguei atravessada por um pensamento simples, mas potente: gratidão. Gratidão por estar vivendo algo que, há alguns anos, parecia distante. Esse sentimento ganhou ainda mais força quando, já em sala, o professor nos provocou a refletir: quantos colegas do ensino médio chegaram à graduação? E, desses, quantos seguiram até o mestrado?  

Essa reflexão não é sobre mérito individual apenas, embora o esforço exista, mas sobre reconhecer que ocupar esse espaço também revela uma posição de privilégio construída em meio a desafios. Estar aqui é, ao mesmo tempo, conquista pessoal e responsabilidade coletiva.


📩Dinâmica: um bilhete para o meu “eu acadêmico”

Assim, iniciamos nossa aula de retorno ao presenteiam, convidados escrever um bilhete para mim mesma, a todo instante pensei “continue, aprofunde-se, mergulhe em águas mais profundas”. Trocamos os bilhetes e recebi: 




Um recado que me fez voltar a nossa primeira aula da disciplina, quantos avanços, quanto aprofundamento. Essa atividade nos conectou com nossa trajetória e também com a dimensão subjetiva da formação.


📱Nomadismo digital 

Seguimos refletindo, compartilhando e conheci um conceito importante o de nomadismo digital, que se refere a pessoas que utilizam tecnologias digitais para trabalhar e estudar de forma remota, sem estarem fixas em um único lugar. Esse fenômeno nos faz pensar: como a educação dialoga com sujeitos cada vez mais móveis, conectados e inseridos em múltiplos contextos culturais?                                                    Com certeza a semana trará mergulhos sobre o tema. 


💻PBL 7: Interfaces digitais e interatividade

Continuando com a metodologia de estudos semanais, chegamos ao PBL 7, fomos desafiados a debruçar sobre dois conceitos centrais, interface digital e interatividade. Mas, o desafio não parou por aí, dessa vez não basta refletir e s rever sobre, devemos entregar um artefato criativo, quadro visual, protótipo, apresentação interativa ou similar. Toda semana aprendemos uma tecnologia, mas algo foi diferente dessa vez, apesar da chuva de informações e orientações para produção do artefato, não paralisei, a curiosidade foi aguçada, as ideias começam a surgir e alimento grande expectativa para as leituras sugeridas. Será que vou conseguir compreender e organizar os conceitos acima mencionados?

Logo mais, volto aqui para contar. Até breve. 


Quem encontro no silêncio?




Lá se vem mais uma segunda-feira, e com ela a retomada das atividades presenciais. Nas últimas semanas, o habitual barulho dos encontros, das trocas e das aprendizagens deu lugar ao silêncio, um silêncio que não foi vazio, mas preenchido por um encontro comigo mesma. Um tempo dedicado às leituras, tanto as sugeridas pelo estudo dirigido quanto aquelas que têm sustentado a produção do artigo, especialmente voltado à linguagem, à leitura e à escrita na formação dos sujeitos.

Durante esse processo, fui compreendendo melhor as ideias de Álvaro Vieira Pinto, especialmente quando ele desconstrói a noção de tecnologia como algo universal e neutro. Para o autor, toda tecnologia é uma produção histórica e social, nascida em contextos específicos e atravessada por interesses, necessidades e relações de poder. Isso significa que ela não pode ser entendida como uma simples ferramenta imparcial, mas como resultado do trabalho humano acumulado, carregando intenções e significados o que impacta diretamente também as formas de ler, escrever e se expressar no mundo.

Ao apresentar a tecnologia como síntese de relações sociais, Vieira Pinto evidencia que a suposta neutralidade funciona como uma forma de ocultar desigualdades e projetos que atravessam sua produção e uso. Quando pensamos na apropriação da leitura e da escrita, isso se torna ainda mais evidente: não se trata apenas de acessar textos em suportes digitais, mas de compreender as condições em que esses textos circulam, quem os produz e para quem são produzidos.

Nesse sentido, a formação da consciência não é definida pela tecnologia em si, mas pela forma como nos relacionamos com ela. Ao utilizar o celular para os estudos, por exemplo, podemos apenas copiar e colar respostas, assumindo uma postura passiva diante da linguagem. Por outro lado, quando usamos essa mesma ferramenta para pesquisar, comparar discursos, produzir textos e nos posicionar, estamos ampliando nossas formas de leitura e escrita, transformando a tecnologia em espaço de construção de sentidos.

É nesse ponto que o conceito de trabalho amplia a compreensão da tecnologia, mostrando que ela não é apenas um instrumento, mas parte constitutiva da vida social e da própria formação humana. Aprender a ler e escrever, nesse contexto, não é apenas dominar códigos, mas participar ativamente de práticas sociais mediadas por diferentes tecnologias da linguagem.

Avançando para o nosso PBL 6 Dispositivos digitais no ensino-aprendizagem, percebo como essas reflexões dialogam diretamente com as discussões propostas. Os dispositivos digitais não são apenas ferramentas: são ambientes de linguagem, espaços onde a leitura e a escrita acontecem de novas formas. Eles aproximam, ampliam acessos, diversificam gêneros textuais, multiplicam vozes, mas também trazem desafios, como a superficialidade da leitura, a fragmentação da atenção e a dificuldade de aprofundamento.

E, em meio a essas reflexões, encontrei um texto que não se limita a narrar um processo, ele respira entre dúvidas e sensibilidade. Nele, a escrita não aparece como linha reta, mas como versus sinuosos, em que cada palavra parece buscar seu lugar entre muitas outras já ditas. Há ali uma inquietação que toca diretamente quem investiga a linguagem: como escrever sem se perder nas vozes que nos constituem? Como construir um dizer próprio quando toda escrita é, de alguma forma, encontro com o outro?

Talvez seja justamente nesse entrelaçamento entre tecnologia, linguagem e formação humana, que o texto silenciosamente se aproxima do meu próprio caminho de pesquisa.

sábado, 11 de abril de 2026

Dispositivos móveis no ensino-aprendizagem

Vivemos em uma sociedade marcada pela cultura digital, em que a aprendizagem ultrapassa os limites físicos da sala de aula. Nesse contexto, os dispositivos móveis assumem um papel significativo quando integrados de forma intencional às metodologias de ensino. Mais do que ferramentas, eles podem atuar como mediadores do processo de aprendizagem, favorecendo a interação, o protagonismo dos estudantes e a construção de conhecimentos em diferentes tempos e espaços.


 https://youtu.be/yekhCQzWZCw?si=K8YuSQmaBqdZ8f8C 


segunda-feira, 6 de abril de 2026

Do simbólico ao pedagógico: a Páscoa e as transformações no uso das tecnologias digitais no ensino



Páscoa é um tempo de passagem, um rito de reflexão, e assim iniciamos a aula refletindo sobre nós mesmos, sobre cada processo individual de aprendizagem, mas também sobre o processo que a turma percorre junto. 

A cada aula que se inicia na disciplina de Tecnologias Digitais do Ensino é um misto de expectativas e inseguranças, academicamente falando ainda sinto que preciso fazer mais, cobro sempre mais, e no decorrer das discussões, das metáforas utilizadas pelo Professor Fernando Pimentel, as inseguranças vão dando espaço às reflexões. 


Com base no PBL 05, no qual construímos uma linha do tempo analisando as possibilidades e limites das incorporação das tecnologias no ensino no Brasil, refletimos coletivamente que o percurso histórico apresenta momentos de incorporação das tecnologias como forma de ampliação (melhoria) em uma concepção  ingênua de modernização, utilizando os aparatos como meio de substituir as tecnologias “tradicionais”, revelando que a inovação pedagógica não acompanhou a modernização das tecnologias, conforme defende Coll (2010) e Pinto (2008). O Estado e as políticas públicas tendem a incentivar sem uma proposta pedagógica de redefinição do fazer docente. Compreendemos que se faz necessária a implementação de políticas públicas voltadas a incorporação das tecnologias tendo como base epistemológica o papel do professor como mediador, concepção de ativo e aparato tecnológico como meio de colaboração e aprendizagem em rede.

Autoavaliação: metade do percurso

Chegamos a metade do percurso da disciplina de Tecnologias Digitais no Ensino, um convite para uma autoavaliação, repensar o que já foi construído até aqui e até que ponto queremos avançar.  


Aprendizagens já construídas até aqui: 

Cheguei a primeira aula da disciplina ainda trilhando em águas rasas, está adentrado ao mestrado já trilhando um percurso mais profundo com a turma de doutorado foi assustador. Com as metáforas utilizadas durante as aulas, fui me abrindo ao novo, permitindo esvaziar o copo para mergulhar em águas mais profundas.

Até aqui, além de reforçar a conceituação teórica em relação as tecnologias digitais, desenvolvi a compreensão de que alguns termos que parecem sinônimos trazem significações muito distintas e conhece-los em sua  etimologia é fundamental também para entendermos as possibilidades e limites  dos artefatos tecnológicos no ensino. 

Minha postura como mestranda no PBL (Problem-Based Learning):

A metodologia da aprendizagem baseada em problema foi algo que ainda não havia desbravado. Durante o PBL admito que me mantive em uma postura de escuta, passividade e consumo de conhecimento. No entanto, essa é uma postura que não dá para manter em um mundo acadêmico  como o mestrado, então, busquei aprofundar os estudos para também contribuir durante as discussões. Considero que ainda tenho muito a desenvolver, buscando argumentar, problematizar para não cair nas discussões baseadas apenas do senso comum. 

Uso do portfólio:

Ao utilizar o blog como ferramenta de diário de bordo ou portfólio, busco registrar as atividade, mas também apresentar meu processo de aprendizagem, desafios, mudanças de pensamento, no entanto sinto que ainda é necessário aprofundar a incorporação desse ambiente como espaço de reflexões. 

Compromissos para a segunda metade da disciplina:

Para a continuidade dessa jornada, reconheço que será relevante  ler os textos com mais antecedência, participar mais das discussões, problematizar, melhorar o portfólio como espaço de reflexões e relacionar a disciplina com  a minha pesquisa. 

Chegar ao meio da disciplina me faz perceber que aprender no mestrado não é acumular conteúdos, mas transformar a forma de pensar. Ainda estou em processo de construção, mas hoje já não penso a educação e as tecnologias da mesma forma que pensava no início da disciplina. Meu compromisso para a segunda metade é aprofundar leituras, problematizar mais e assumir uma postura mais ativa no meu processo de formação como pesquisadora.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

LINHA DO TEMPO - Tecnologias Digitais no Ensino: possibilidades e limites

Na última aula, fomos desafiados a analisar um problema relacionado ao uso das tecnologias digitais no ensino, com foco tanto em seus limites quanto em suas possibilidades. Com base nas referências indicadas, fomos instigados a organizar, em uma linha do tempo, os principais marcos da incorporação das tecnologias digitais na educação, identificando, para cada período, ao menos uma possibilidade e um limite desse processo. Essa atividade teve como objetivo compreender como as tecnologias foram sendo inseridas no contexto educacional brasileiro ao longo do tempo, bem como refletir sobre os avanços, desafios e problemas que ainda permanecem no uso pedagógico das tecnologias digitais.



 
 
 
 
Ao fazer uma análise, de modo geral, a relação entre tecnologias digitais e ensino no Brasil foi marcada por grandes expectativas de transformação da educação, porém muitos desafios se repetem ao longo do tempo, muito mais relacionados com a falta de formação de professores, e o uso desses artefatos tecnológicos, que necessariamente a problemas de acesso. As tecnologias digitais ampliaram possibilidades de ensino, especialmente após a pandemia, mas ainda é necessário avançar na integração pedagógica das tecnologias e na inclusão digital para todos os estudantes.
 
Para que as tecnologias digitais contribuam de fato para a aprendizagem, é necessário que ocorram mudanças na formação docente, nas práticas pedagógicas e nas políticas educacionais, pois apenas a presença da tecnologia não garante inovação ou melhoria da aprendizagem, como discutem autores como Valente e e Almeida (2022).

Entre linhas, infâncias e percursos: encerrando mais um capítulo

  Enquanto a tela exibe o blog, o olhar se perde para além do artefato, atravessando corredores, caminhos e paisagens. Talvez seja exatament...